15/12/10
Actividade 2 - Métodos de recolha de dados
Na actividade 2, a wiki foi grandemente construída por 3 dos 4 elementos da equipa Poirot, dado que um dos membros (o Alcino) esteve menos disponível, contribuindo, no entanto, com algumas "achegas". Foi uma tarefa difícil de realizar no pouco tempo atribuído, mas extremamente motivadora. Desde a leitura e análise da tese de Cidália Neto (O papel da internet no processo de construção do conhecimento, 2006), à pesquisa sobre métodos de recolha de dados, com especial incidência sobre a entrevista, parece-me que conseguimos, mais do que na actividade 1, cruzar melhor a informação e adicionar opiniões pessoais duma forma mais consistente enquanto grupo, facto bem patente na versão final da wiki. Quanto mais avançámos no tema, mais a interacção do grupo ocorreu, factor que enriqueceu os diversos olhares e perspectivas sobre um tema tão vasto e tão melindroso. Não destaco nenhuma contribuição específica minha da wiki por esse motivo - só faz sentido fornecer o link do trabalho realizado: http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/ouwiki/view.php?id=601881&group=40781&page=Tema+2+-+M%C3%A9todos+de+recolha+de+dados
A 21 Novembro 2010, no fórum pós-wiki, julguei importante arrumar um pouco as minhas ideias:
Tendo sido sobretudo esmiuçadas as questões ligadas ao questionário, deixo só um pequeno apontamento. Diversas investigações de natureza exploratória recolhem dados misturando técnicas quantitativas e qualitativas. Utilizam, por um lado, a metodologia de investigação qualitativa, baseando-se em instrumentos como a entrevista, a observação e a documentação, de modo a compreender de forma aprofundada as perspectivas dos intervenientes. Por outro lado, obtêm dados quantitativos através de inquéritos por questionário, que permitem analisar as tendências maioritárias e os desvios de posições. A metodologia de investigação Estudo de Caso não implica nenhuma forma particular de recolha de dados (podem ser quantitativos ou qualitativos), mas sim o uso de múltiplas fontes de evidência, convergindo para o mesmo conjunto de questões (Yin, 1994). Esta perspectiva está também subjacente no entendimento de Morgan (1991).
Yin, R. K. (1994). Case Study Research: Design and Methods. Newbury Park: Sace Publications, Applied Social Research Methodos series, volume 5.
Morgan, A. (1991). Case-Study Research in Distance Education. Australia: Institute of Distance Education –Deakin University & University of South Australia.
Este fórum é, no entanto, sobre os métodos quantitativos de recolha de dados. Sem querer tornar-me repetitiva face a tudo o que já foi adiantado pelos colegas, em relação ao questionário existem outros aspectos operacionais relacionados com as famosas e temidas perguntas, cada uma com a sua especificidade, interesse face ao objecto de pesquisa e grau de dificuldade, seja quanto às potencialidades de recolha de informação, seja quanto ao trabalho de tabulação. A selecção do tipo de perguntas deve-se adequar o melhor possível às características da população alvo, de forma a evitar problemas de natureza psicológica e sociocultural que podem ser causadoras de entropia. Em linhas gerais, segundo Pardal e Correia (1998, p. 59) as perguntas podem ser classificadas em explícitas, índice, de facto, de intenção e de opinião. Breve descrição das suas características:
Perguntas Explícitas: comuns, procuram informação directa e imediata sobre o assunto. (Ex: Quanto ganha? );
Perguntas Índice: através deste tipo de perguntas visa-se estudar indirectamente um assunto. Procura-se ultrapassar eventuais problemas causados por perguntas de carácter mais explícito. Em vez de se utilizar a pergunta "Quanto ganha?", o investigador pode contornar a questão de forma a evitar embaraços - possui automóvel? de que marca?;
Perguntas de facto: referem-se a assuntos concretos, de fácil determinação e de resposta simples (sexo, idade, número de filhos, profissão, estado civil);
Perguntas de acção: dizem respeito a uma acção passada. Exemplo: recorreu a explicações da última vez em que não transitou de ano?;
Perguntas de intenção: este tipo de perguntas, frequentemente de resposta difícil, coloca o inquirido na situação de revelar a sua atitude face a algo que ainda não ocorreu. (Em quem votaria se hoje houvesse eleições? );
Perguntas de opinião: algo semelhantes às anteriores e com o mesmo grau de dificuldade de resposta, as perguntas de opinião podem colocar o inquirido em defesa;
Cada tipo de pergunta tem o seu problema específico. As perguntas explícitas, fáceis de responder, podem no entanto ser incómodas, as perguntas-índice não viabilizam sempre a maior precisão; as de acção, se o passado for muito distante, podem dificultar a exactidão da resposta e as de intenção e de opinião podem obter respostas pouco claras ou inclusive omissões...
Nunca tive tanto receio de fazer perguntas...
CAMPENHOUDT, L.V. & QUIVY, R. (1998). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva.
CORREIA, E. & PARDAL, L. (1998). Métodos e Técnicas de Investigação Social: Areal Editores
LAKATOS, E. V. & MARCONI, M. A. (1989). Metodologia Científica, S. Paulo: Atlas Editora
Neste tema apenas me incomodou não ter apreciado particularmente a tese de Cidália Neto nas seguintes questões, que de todo não me convenceram:
- A amostragem não englobou o propósito de abrangência (alunos de todo o 3º ciclo);
- alguns dos objectivos são irreais e o tratamento de algumas variáveis jamais poderia ser feito em Excel;
- o critério de selecção das escolas foi claramente de conveniência;
- não se encontram os passos que suscitaram os questionários – é tudo vago e genérico;
- a questão interior e litoral ficou esquecida algures no percurso...
O incómodo sentido prendeu-se sobretudo com o meu espanto por esses aspectos terem "escapado" à autora e respectivo orientador. Neste ponto fiquei - provavelmente para sempre - com receios ainda mais palpáveis da responsabilidade da dissertação.
